Bom dia noite.
Estou pra lá de cansada. Cansada de tudo. Tudo! É... tudo, mesmo! Mas grande parte de meu desconforto se deve à elas. As pessoas. Com suas mentes mesquinhas vazias de sentimento. Chatas. Extremamente previsíveis. Nenhuma presta, nenhuma mísera alma a ser dita como exceção à regra da minimalista arrogância preenchida de rancor amoroso. As dúvidas. São as precursoras do rumo a ser seguido. Cadê as dúvidas? Aonde foram parar? Cadê os humanos promíscuos, aqueles que tinham como dever questionar-se intermitentemente sobre os causos mundanos? Morreram todos? Nunca existiram? Estou à beira de um abismo. Se der passo à frente caio na rotineira e somítica vida enfezada de lições às quais não quero aprender. Aquelas que são ditas como verdades universais. Se der passo regresso, deparar-me-ei com passado nada agradável e deveras insignificante, mofino coberto de desprazer que passei.
Ah, a fábrica! Fábrica de seres humanos. Não pertenço à ela, certeza. Já parastes a pensar, tudo gira em torno de um único e funesto sentimento. O amor. Toda a tua vida, tudo em sua volta e todas as tuas ações estão correlacionadas ao mais maligno e benévolo sentimento, que em mesma sintonia compõe a sua própria antítese mesclada. Ele me destrói. Me cabisbaixa saber que a culpa toda é dele.
Eu sou erro. Faço e crio. Errada e com razão. Magoada por ser assim. Exaurida de tanto pensamento egoísta.
Egoísta, sou muito. Noção disso. Sensação de atrapalhar, de roubar o oxigênio de quem precisa realmente usa-lo. Não quero mais ser eu mesma. Difícil expressar a angústia que sinto me possuindo. Não existo no mundo real. Pra ninguém. Só mais um. Só. Um. Único. Excepcionalmente cansativa. E diferentemente introspectiva. Sem mínimo desígnio de aflorar.
(este texto foi escrito em meados de março de dois mil e sete)